ARQUIVO DE MENSAGENS

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"PAPO" de Elevador



Por estes dias lembrei-me de umas histórias vividas que se repetem em todos os lares, com todo tipo de gente, a todo o momento. E ainda assim, não deixam de ser engraçadas, e por vezes, desconfortantes. Por exemplo, papo de elevador: quem nunca passou por uma situação de constrangimento no elevador?
Eu e meu irmão quando mais novos sempre dávamos este tipo de trabalho. Eu, riso solto, não precisava muito para achar graça nas situações (o pior é que continuo assim...). Meu irmão, sabendo disso, não deixava barato, e era só entrarmos no elevador para ele dar aquela olhadinha de lado pra mim e começarmos a gargalhar. Não eram risinhos à toa não. Eram gargalhadas mesmo, de chorar de tanto rir. Imagina a situação dos “vizinhos”. Era abrir a porta, a pessoa entrava pronto, o estrago estava feito. Minha mãe, quando estava presente, dava umas olhadas sérias como quem tenta dizer algo apenas com o olhar. Mas nada segurava nossa “jovialidade”! Como quem tenta corrigir o incorrigível, minha mãe se sentia obrigada a fazer um comentário do tipo: “A essa meninada!”, “Eles são sempre tão felizes não é mesmo?”.
Tinha um certo vizinho então, que era impressionante, eu não podia olhar para ele, que começava a rir. Ele enaltece bem este tipo de conversa “furada” a qual me refiro. Sempre nos cumprimentava, e para não ficar aquele silêncio comentava: “Tá frio não é? Ontem choveu, será que hoje também vai?”. Gente, qual é o adolescente que às 06h30min da manhã quer saber se vai chover ou não? Normalmente, mal acordaram e sabem o próprio nome... Isso quando ele não entrava junto com a mulher, e ficavam fazendo cócegas um no outro, juro! Como quem comemora algo da noite passada! Eu olhava para eles e imaginava o que poderiam ter feito, e claro, meu irmão como por telepatia me compreendia, e começávamos a rir novamente.
Tem também aquelas pessoas que não falam nada, mas ficam regulando sua roupa, seu brinco, o tom do esmalte, a marca da bolsa meu Deus! Sinceramente talvez seja melhor comentar sobre o tempo! E aquelas senhorinhas que olham para “dentro” da sacola do mercado e ficam perguntando sobre a marca dos alimentos, se são bons, se tá caro, etc. É constrangedor, parece invasão de privacidade ou alguma coisa assim.
Se pararmos para relembrar, este tipo de situação não ocorre somente no elevador, mas também na fila de espera do médico, onde um fica perguntando sobre a doença do outro, trocando receitas de remédios, falando mal do médico vizinho. Ou na fila do banheiro “geralmente” feminino. Sempre tem uma mulher bem apressada que quer furar a fila e uma outra desbocada que mais que rapidamente a coloca no seu devido lugar: “Tem fila viu querida? É lá atrás!”.
É papo de elevador, de sala de espera de consultório, de fila de banheiro, é sempre a mesma coisa! Mas se considerarmos a correria cotidiana da maioria das grandes cidades do mundo, ter alguém que puxa assunto com você nem que seja sobre a qualidade do revestimento dos azulejos do corredor do prédio é motivo de comemoração, na maioria das vezes nem um cumprimento decente as pessoas trocam.
É vida moderna... Papo de elevador... Papo de elevador? Ah, que saudades...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

VEM LUCAS, VEM....



O meu marido realizava um trabalho fora de São Paulo, e aguardava ansiosamente por um telefonema meu com o sinal verde para ele vir a “nosso” encontro. Um grande medo dele era que nosso filho nascesse sem que pudesse acompanhar. Não bastava ser o pai, saber que estava bem. Queria ser um dos primeiros a segurá-lo em seus braços, queria poder apertar a minha mão, entrar em contato com o amor perfeito, queria poder... Queria...
Lembro-me como se fosse hoje eu sentada em uma cadeira de rodas, de avental e muito rímel nos olhos... (imagina!) Por onde passava arrancava sorrisos de todos no hospital, ia para um baile ou para a maternidade? Queria que meu filho me visse linda e tivesse orgulho de mim!
Orei com afinco, e entrei em um corredor branco e longo. Cada espaço percorrido fazia aumentar ainda mais a expectativa deste encontro. Na sala de cirurgia senti a presença divina fortemente, que me acalmou, e permitiu que tudo acontecesse de forma perfeita. A equipe de “anjos” que me acarinhava, o movimento dos instrumentos cirúrgicos que pareciam entoar hinos de louvor a Deus, me trazendo paz e me fazendo sorrir. Por um instante, me faltou o ar!
Eis que um choro ecoou, e ao abrir meus olhos, a mais bela das imagens: meu marido com os olhos repletos de lágrimas com meu pequeno filho no colo, lindo! Quanto amor, quanta alegria! Fechei meus olhos novamente, agradeci a Deus, e chorei. Imediatamente ao encostar-se no meu peito, meu pequenino se acalmou e naquele instante tive a exata sensação do era ser mãe. Pude sentir no fundo da minha alma a força que nos unia. Força que transforma, que transcende todas as camadas do universo e nos aproxima sem barreiras de forma fenomenal daqueles a quem chamamos de crias.
É instintivo, é emocionante, é fantástico! Ao mesmo tempo em que nos reafirma como mulheres nos faz mais ponderadas frente às oportunidades. Dá-nos o poder da educação, mas nos cobra a entrega. Nos capacita para o ensinamento, mas necessita nossa demonstração de amor constante.
Ser mãe é estar presente sem ultrapassar a individualidade do filho, é conseguir dar o conselho certo mesmo quando desconhecemos o assunto. É conseguir identificar uma fragilidade e tentar transformá-la em algo positivo sem que isso seja notado. Ser mãe é amar alguém além de nós mesmos e tentar transformar nossos defeitos para darmos os melhores exemplos.
É, pelo visto, parece que ser mãe é conseguir realizar o que somente os super-heróis são capazes de fazer. Mas sem capa, sem armas de outra galáxia, sem criptonita.
Alguém se habilita?

sexta-feira, 30 de março de 2012

PAREM O TREM...


Hoje acordei melancólica e introspectiva. A fim de avaliar meus caminhos, ou a ausência deles. E nesta profunda trajetória percebi algumas pedras, decepções e incertezas, que me fizeram chegar até aqui.
Percebi que a “lentidão” de algumas escolhas não é reflexo apenas de uma possível insegurança como pode parecer; ou resultado de certa apatia pela vida e pelas opções que se apresentam. É sim uma forma generosa de encarar os fatos. A ausência de certo egoísmo que poderia existir atrelado a um objetivo bem definido, resultado de muitas viagens que fiz me mostraram o real valor das coisas e das pessoas a minha volta. Não posso ignorar o aprendizado.
Todos os dias, milhares e milhares de pessoas acordam e pré-definem seu dia a dia, seus anseios e atitudes. Seguem seus caminhos, deslocam-se “isoladamente”, buscam, conquistam. É o tão sonhado curso, o tão sonhado emprego, o tão sonhado sonho. Outros tantos... Sonham somente. Por incapacidade de lutar, por ignorância dos caminhos a seguir, pela “bagagem” atrelada a certas decisões. Bagagem que aumenta o medo, a incerteza e a cobrança por fim. Quando se é coluna qualquer movimento abala a estrutura.
Como é difícil voltar atrás, começar de novo, tentar mais uma vez o que nunca foi feito. Como é difícil acreditar em si próprio quando já se desistiu uma vez. Como é difícil não comprometer sentimentos passados, com situações novas e inesperadas. Como é difícil esquecer dos que amamos, e de quem não queremos nos afastar... Nem um pouquinho... Como é difícil o julgamento superficial quando temos malas e malas de sentimentos guardados, acumulados, desenvolvidos para carregar. Como é difícil...
Mas não fiquem tão preocupados com minhas escolhas, preocupem-se comigo. Se eu estiver bem, minhas escolhas serão as oportunas. Preciso apenas que alguém desça do trem. Quando se está dentro do trem a vida passa muito rápido, e conseguimos observar apenas algumas breves folhagens que movimentam-se entre as estações. Não vemos a paisagem a nossa volta, não sentimos o clima, não vemos ninguém. Ao invés de criticar olhe pela janela, observe os que acenam, faça valer a oportunidade que te foi concedida... Não desperdice a viagem, um dia pode ser você acenando por alguma direção...
Parem o trem! Já desci uma vez, agora, preciso subir... Mas abram a janela não quero perder uma brisa se quer. Aprendi que o mais importante da viagem é o caminho...

quinta-feira, 1 de março de 2012

ESPERA QUE O SOL JÁ VEM

www.drikaflores.blogspot.com


Por estes dias tenho "ouvido na memória" diversas vezes aquela canção que diz "Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez..." Fiquei pensando então como é fenomenal este processo de movimentação desta estrela, que vai e volta, influenciando a vida de todos nós...

Já repararam que o SOL quando nasce, traz consigo a esperança do que estar por vir? A esperança de que o dia de hoje seja melhor do que o que se foi, a vontade de conquistar novos caminhos, passear por novos lugares, encontrar muitas pessoas. O nascer do sol é tão forte que por muitas vezes nos traz a certeza de não cometermos os mesmos erros do passado, reafirmando diariamente, que há movimento no céu, acendendo a fé sobre nossos anseios, pensamentos, decisões.

Em contrapartida à sua chegada, o SOL quando se põe, apesar de reproduzir umas das paisagens mais belas do universo, leva embora o que não foi realizado naquele dia, leva nossas ilusões, enterra nossos anseios no infinito desconhecido causando certa dor dentro da nossa alma: "ah, não foi desta vez...".

Mas que bom que ele nasce todos os dias, e renova nossa esperança, nossa fé. E assim como pode trazer boas energias, também pode levar consigo a mágoa que se foi, a angústia que se apagou, o sofrimento substituído. Depende do nosso olhar!

Há algum tempo aprendi a valorizar o nascer do SOL todas as manhãs ao acordar. Olhar para o céu e reconhecer a importância daquele "novo dia" é uma forma de agradecer a Deus pela nova oportunidade recebida: mais uma chance para acertarmos, emocionarmos, fazermos a diferença positiva por onde passarmos.

E dá certo! Ser agradecido ao divino pelas oportunidades da vida, até pela falta delas, nos aproxima do sagrado, nos fortalece, nos tranqüiliza.

Ai o SOL... Seu poder é tão forte que mesmo entre nuvens, trovões raios e tempestades, muitas vezes, consegue se manifestar nos presenteando com arco-íris maravilhosos e encantadores, que nos remetem à infância e reacendem a esperança do encontro com o tão precioso pote de ouro... É mágico! Pode ser!

Assim como o brilho desta estrela nos contagia, por mais que muitas "nuvens" traiçoeiras apareçam no nosso caminho, não podemos permitir que essa luz se apague, seja encoberta, ofuscada. Cada um de nós tem um brilho particular que faz a diferença no universo. Descobrir onde encontrá-lo talvez seja a grande conquista de nossas vidas.

Como encontrar dentro de nós mesmos o sentimento sem sentido, a razão sem argumentos, o desespero sem causa? Como curar o desconhecido, alcançar o inimaginável, desenvolver o inatingível para nós pobres mortais?

Como traduzir em palavras os sentimentos mais controversos e conseguir a movimentação dos céus para que nossa luz sobressaia, permaneça, nos complete?

Como não ser mais um na multidão, perdido no caminho para a própria casa? Casa? Que casa?

Como enxugar as lágrimas do nosso amado sem deixar escorrer as nossas copiosamente?

Como passar a força que não possuímos, oferecer o bom conselho que não seguimos alcançar objetivos que não cremos? Como, como?

Para sermos SOL, precisamos nos acreditar SOL. Brilhar, iluminar, contagiar, movimentar. Para parecermos SOL, precisamos ter sua beleza de alma, sua força de espírito, sua grandeza de ser.

Como sermos SOL com aspecto de outra estrela em outra galáxia qualquer sem ao menos sermos notados, observados, valorizados por isso?

Talvez seja mais fácil sermos nuvem, tentando ofuscar a grandeza dos outros, ou trovões esbravejando aos quatro ventos, propagando uma força que talvez não tenhamos. Ou até raios destruidores, sem sentido. Mas e o brilho, a emoção, o arco-íris?

Eu quero ser SOL! Propagar o que é bom, produzir raios coloridos na vida das pessoas, distribuir baús repletos de ouro! Isso sim vale à pena, combina comigo, esquenta a alma!

Não posso me contentar em ser nuvem se posso produzir brilho intenso! Não consigo enviar a chuva quando minha vontade é fazer brotar o calor humano! Não posso me enganar e fingir que gosto do cinza quando fico tão bem de amarelo-dourado! Não posso...

Anular nossas vontades, desconsiderar nossas aptidões, ofuscar nossos talentos pode até nos encaminhar a lugares retos e tranqüilos, mas e o arco-íris?

Descobri que para sermos SOL, talvez o caminho seja mais longo, mais difícil, mas quando encontrarmos a luz no final do túnel não há sentimento que substitua.

Descobri que para sermos realmente SOL entre contradições, devemos nos comportar como vento, pássaro no céu, estrelas de menor notoriedade. Para sermos realmente SOL, precisamos ter a humildade necessária de reconhecer a importância de cada membro no processo de nascimento. Para sermos SOL é preciso ser merecedores... Não basta termos talento, não basta o conhecimento, a influência. "Quem" ascende a luz do SOL não tem os mesmos valores que a maioria da multidão. É por isso que vemos tantas estrelas "pouco preparadas" brilhando, brilhando...

Eu quero sim ser SOL, mas merecidamente...

E como diz o Renato Russo: "Mas é claro que o SOL vai voltar amanhã, mais uma vez... Eu sei... Escuridão, já vi pior de endoidecer gente sã! Espera que o SOL já vem... Nunca deixe que lhe digam que não vale à pena acreditar no sonho que se tem ou que seus planos nunca vão dar certo ou que você nunca vai ser alguém... Quem acredita sempre alcança! Mas é claro que o SOL vai voltar amanhã..." EU SEI!

 


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Obrigada

Adriana Flores Mafra

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

REFLEXÕES PARA O NOVO ANO



Uma casinha branca, com varanda... Paz, paz?

Quem nunca desejou “fugir” do stress do dia a dia e ir para o meio do mato, como naquela música “... ter uma casinha branca com varanda, um quintal e uma janela, só pra ver o sol nascer...” algo assim?

Respirar ar puro, ouvir o barulho dos pássaros, ficar em silêncio. Apreciar a paisagem das matas, sentir o cheiro da natureza bem próxima a nós... Sem dúvida que este contato faz bem, renova as forças, nos aproxima de Deus.

Mas à medida que a tarde vem chegando, os insetos mais enlouquecidos, vindos em carreata de Marte ou algum lugar parecido, cheios de asas e “aromas” não muito agradáveis se aproximam, nos “obrigando” a fechar “todas” as portas e janelas, (todas mesmo!) máscaras de oxigênio são derrubadas do teto, e começamos a repensar. E o que dizer do barulhinho daquele ventinho “gostoso” do interior, que balança todas as janelas tão “bem pregadas”, com frestas enormes que nos fazem questionar sua funcionalidade inicial, nos colocando em contato direto com nosso “imaginário mais assustador”? As luzes refletindo... luzes, luzes? Quer dizer a penumbra “agradável” refletindo o mato cerrado, em meio a todas aquelas árvores, com aqueles bichinhos de tantas espécies... o que parecia relaxante, como em um passe de mágica transforma-se num filme de suspense, e em um único minuto, todos os músculos do nosso corpo, tão relaxado até então, contraem-se involuntariamente, nos fazendo sentir como se estivéssemos no meio do trânsito de uma cidade como São Paulo.

De repente, “me repreendo” com os olhos arregalados, como quem procura... O Curupira (como diz meu filho!). Cada sombra é uma ilusão de ótica, cada zumbido, um contato com o além... Ai natureza, tudo tão lindo, relaxante mesmo não é?

Exagero para uns, compreensivo para outros, discussões a parte, o importante é percebermos que a paz não está vinculada a uma paisagem ou outra. Esperei tanto por este momento de estar em contato “direto” com a natureza para me sentir mais calma e quando tenho a oportunidade... Percebi que esta tão buscada paz é resultado de uma série de comportamentos, e muito mais, pensamentos, que não estão necessariamente relacionados a um lugar ou outro, a não ser dentro de nós mesmos.

E como fazer para realmente encontrá-la, agarrá-la, não deixá-la escapar?
Já pararam para pensar que estamos constantemente sendo desafiados a nos superar, transpor dificuldades, saber lidar com questões que de uma forma ou de outra, tentamos abafar, distanciar, isolar dentro da nossa alma?

Na verdade sempre esperamos uma “situação ideal” para iniciar um movimento, uma mudança, uma superação, e no fundo não percebemos que a vida sempre nos levará aos mesmos caminhos, até que tenhamos força para transpor aquela dificuldade. É assim, faz parte do aprendizado, da missão, do sentido de se estar vivo. Ignorar estes sinais é uma forma imatura de se fechar para vida. Não admitir alguma limitação não a reduz, ao contrário, a torna mais evidente, mais grave, mais profunda. Temos que aprender a lidar com nossos medos, frustrações e dissabores. E a partir daí, tentar superá-los.  

Quando a vida nos coloca algumas situações recorrentes na frente, talvez seja um alerta, como quem diz: “Acorda! Você precisa vencer esta etapa para subir o próximo degrau...” Precisamos estar prontos para receber a próxima “missão”. Enquanto existe vida, existe um caminho a cumprir, é o preço!

Vamos “jogando fora” sentimentos inúteis, invasivos, destrutivos, e com o que “sobra”, juntamos os caquinhos e construímos algo “inesperado” com nossos sentimentos. Pode ser muito bom, mas pode ser frustrante também.

No fim, o que nos tornamos acaba sendo o resultado da “subtração de tudo o que não gostaríamos de ser”. É também uma forma de superação. Porque não? Mas será o bastante?
Neste início de novo ano, onde grande parte de nossos pensamentos, anseios e ambições vêem a tona, reflexões como esta são muito comuns. O que as farão ser diferentes ou não, é a maneira como aprendemos a lidar com elas.

As dificuldades sempre existirão, as situações desagradáveis, até desesperadoras. Mas se pensarmos que como em uma casa varandada no topo do morro, a maior parte dos “fantasmas” realmente são imaginários, quem sabe grande parte do nosso sofrimento e agonia cotidiana também não o sejam?

As janelas sempre vão balançar quando existe vento. A sombra sempre existirá à meia luz. Os animais sempre estarão na nossa volta, na cidade, no campo, onde for. Não podemos nos deixar abater pelo que nos assusta. Melhor é considerarmos o canto dos passarinhos, o cheiro confortante das matas molhadas ao amanhecer, o silêncio que preenche a nossa alma e nos põe em contato direto com Deus...

Tudo é uma questão de ponto de vista. Escolha o mais bonito e seja feliz!

Ai natureza, uma casinha no topo do morro, os pássaros cantando, existe coisa melhor?!

sábado, 24 de dezembro de 2011

CARTA AO MEU AMADO



Contagiada por todo este clima de festa e confraternização aproveitei para analisar a minha vida, e reconhecidamente feliz, agradeci. Agradeci a Deus não somente pelos bens materiais, mas principalmente pelo amor recebido. Me senti muito abençoada por receber amor de tantas formas, e cores e maneiras, que me tomam, me dão brilho, despertam meu prazer de viver. A família, os amigos, meu filho tão especialmente belo de alma... Tanta gente, tantos amores, de tantas formas e cores, e maneiras, que me tomam, me dão brilho...

Feliz com estes amores, que me acariciam como quem recebe flores, estas também cheirosas, mas com vida mais frágil e curta que a minha ascendência (ainda bem!); enxerguei sob o alcance dos meus olhos sonados, mas atentos, a razão de grande parte deste afeto recebido, desenvolvido, aperfeiçoado de tantas formas, e cores, e maneiras que me tomam, me dão brilho... E através destas simples palavras decidi tornar público o que já era exposto, tornar claro o que já era subentendido, tornar palpável e registrado o que há muito é realidade: MEU AMOR POR VOCÊ GLAUCIO!

Este amor que chegou devagarzinho e de uma forma inexplicavelmente mágica se instalou dentro da minha alma e me tornou absolutamente especial! O teu amor maduro, equilibrado, mas voraz, seguro, determinado, forte o bastante para te aproximar de mim de maneira “definitiva”. Intencionalmente dedicado, conquistou a minha admiração e amolecendo meus medos, acalmando minhas angústias, confortando alguns espaços abertos dentro do meu coração, te fez meu e me tornou tua para sempre!

Amor que me ensinou que o orgulho nos afasta da presença divina, e que mais vale relevarmos os defeitos da pessoa amada e mantê-la por perto feliz, do que criticarmos o aparentemente incorrigível, que acaba se tornando correto quando livre para se tornar assim.

O seu amor que me ensinou que humildade não é tentar ofuscar um talento reconhecido, mas saber conviver com ele sem se sentir melhor do que ninguém.

Que me mostrou a capacidade que tenho para conquistar muito mais do que imaginava. Ratificando que por mais difícil que a realidade possa parecer, sempre há um motivo para sorrir e celebrar.

O seu amor que me deu força para enfrentar antigos fantasmas que insistiam em depreciar minha capacidade de gerenciar uma família, e transformou minhas vontades individuais em sonhos palpáveis e coletivos.

O seu amor que me ensinou o significado de solidariedade ao acolher e apoiar a minha família como sendo realmente sua.

Amor que me fez ver que não se julga realmente um homem pelo que ele aparenta superficialmente, mas pelas obras realizadas e pelos sentimentos difundidos.

O seu amor que me deu muitos amigos de presente, me ensinando a compreender o próximo individualmente, sem muita preocupação com padrões julgamentos e afins.

Amor que me ensinou a ver o mundo de muitas maneiras diferentes, despertando aptidões e aprimorando conhecimentos que haviam se perdido pelo tempo.

Que me exigiu amadurecimento espiritual para suportar realidades que aparentemente me julgava fraca para suportar.

Amor que me ensinou que a paciência pode ser uma forte aliada se estivermos caminhando de forma constante e progressiva por caminhos seguros e bem guiados.

O seu amor me fez entender que simplicidade é poder circular entre rodas diferenciadas e ainda sim se manter fiel a hábitos desenvolvidos, sem se frustrar, contaminar, se corromper.

O seu amor me mostrou o que é sinceridade, honestidade, correção.  

Me ensinou que o passado serviu como preparação para o que enfrentamos hoje, e que o futuro certamente trará os frutos de tudo que plantarmos nos dias atuais.

O seu amor... O seu amor...

O seu amor extrai de mim o que tenho de melhor. Me contagia, me toca, me emociona. O seu amor me faz mais grata a Deus todos os dias. Me preenche, me completa, me ajuda a descobrir quem realmente sou. E quem posso ser...

O seu amor fez do seu caminho o meu caminho. Me mostrou que o que ficou para trás era muito menos do que o que eu tinha para receber. Me ensinou que a família é o bem mais precioso e a manifestação mais forte do que significa amar.

O seu amor não poupou minhas fragilidades, mas me fez tentar enfrentá-las e vencê-las.

Você reconhece e até alimenta minhas manhas, e supri meus dengos confortando minhas aflições e carências de menina bem cuidada por uma família dedicada e unida. Sabe conviver com meus defeitos e por mais que possam incomodá-lo, torna-os irrelevantes ao nosso cotidiano, fazendo nosso convívio muito mais leve e feliz!

Como diria Charles Chaplin: “Sua felicidade é fruto das suas escolhas!!! Valorize as pessoas que te amam!!! Existe uma força... Que nos leva a viver. Uma força que nos faz recomeçar que nos faz sorrir que nos faz suportar as dores. Que nos faz suportar a saudade que nos faz buscar a felicidade. Existe uma força muito além de nossos olhos maior que imaginamos, que nem sempre procuramos, mas, ela sempre está a nossa espera. Existe uma força que nos faz sonhar. Uma força que nos faz acreditar. É uma força chamada amor. É uma força chamada persistência. Uma força chamada coragem. Uma força chamada fé! Uma força que nos faz desejar viver”...

Você é parte fundamental desta força em mim! TE AMO DEMAIS!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Festas de final de ano... Bom seria se...


Final de ano... Época de festa, comemoração, reunião em família... Período de auto-avaliação, reencontro, promessas para o novo tempo...
Nesta fase do ano, de uma maneira geral, as pessoas ficam mais sensíveis, mais generosas, mais... Mais! Os sentimentos são maximizados e a necessidade de compartilhá-los com a família, os amigos, torna-se ainda maior.
Como não se emocionar com a beleza das luzes coloridas, com os enfeites natalinos, os corais bem ensaiados das crianças carentes da comunidade? Como não reparar na beleza das árvores de Natal cuidadosamente montadas com dias de antecedência, no olhar doce do Papai Noel, que multiplica-se de maneira extraordinária a cada esquina? As músicas temáticas, os CDs do Roberto Carlos, os panetones, as caixas de bombons finos, o pernil e etc, etc, etc.
Sem dúvida, o mundo se torna mais mágico, mais bonito, mais encantador. Redescobri-se o prazer pela vida, pelo sorriso, pelas mais diversas emoções.
Ao mesmo tempo, é curioso como “repentinamente” muitos redescobrem sua “religiosidade”, sua “preocupação pelo próximo”. Que não precisa ser o menino de rua pode ser a própria mãe, um irmão, o porteiro enfim...
Bom seria se este “espírito natalino”, essa “vontade de ser melhor”, “fazer o bem”, fizesse parte de uma constante na vida das pessoas. Afinal de contas, um ano é tempo demais para quem tem fome, para quem não tem onde morar. Um ano é tempo demais para o pai que espera o telefonema dos filhos, para a criança pobre que não tem o que vestir, com que brincar.
Bom seria que o Papai Noel existisse todos os dias espalhando alegria, carinho e esperança.
Bom seria que soltássemos fogos de artifício toda vez ao acordarmos como forma de celebrar a benção por estarmos vivos.
Bom seria que ao trocarem presentes em amigos secretos, as pessoas permutassem amor verdadeiro e fraternidade; e não superficialidades que envolvem mais preocupações com o valor dos presentes recebidos do que com o ato proposto realmente.
Bom seria que as pessoas se reunissem por prazer não por obrigação. Que pudessem reconhecer como é bom ter uma família unida com tantas histórias para contar, ao invés de ficar reparando quantos pedaços de Chester cada um comeu.
Bom seria que a fartura das ceias fizesse parte da mesa de todas as casas de bem, diariamente. Que as pessoas pudessem ajudar-se mutuamente, como se todas as noites fossem especiais.
Particularmente, acho encantador todo este universo. Acho mágico sim e emocionante todo este movimento de festas de final de ano. Não importa muito as diferenças: se por influência religiosa para uns, comercial para outros, o importante mesmo é aproveitarmos estes momentos para manifestar os bons sentimentos que existem e que às vezes, devido à correria cotidiana ficam escondidos, apagados e acumulam-se dentro dos nossos corações. Demonstrar amor nunca é demais!
Mas bom mesmo seria que não esperássemos a noite natalina para manifestá-lo. E não resolvêssemos nos corrigir apenas a partir da virada de cada novo ano...
Jesus Cristo morreu, e ressuscitou! Ele continua vivo no coração de todos aqueles que crêem em seus ensinamentos. Certamente Ele não espera ser lembrado e celebrado apenas um dia por ano. Certamente Ele gostaria que praticássemos seus ensinamentos todos os dias, independentemente de religião. Se pensarmos assim todos os dias podem ser como o Natal!
Ah... Festas de final de ano... Bom seria se todos os dias fossem assim!