segunda-feira, 7 de abril de 2025

O pássaro e a gaiola.

Quem de nós nunca viu um pássaro preso dentro de uma gaiola cantando lindamente e pensamos: “- Que música encantadora, ele está preso, mas parece tão feliz!”, “Adoro ouvi-lo cantar!”.

Mas será que este canto era de alegria, de tristeza, um pedido de socorro, uma oração? Vai saber... dá a impressão, de que para as pessoas isso não importa, porque se lhes faz bem, talvez isso baste, talvez seja apenas o que chama a atenção.

Isso aconteceu com o Curió. Ele ficou preso numa gaiola, e ainda assim cantava, lindamente.

Só que com o passar dos tempos, o pássaro preso dentro da gaiola foi ficando triste, cansado de não poder voar, mover suas asas por aí. Foi sentindo falta de ver lugares diferentes, sentir o vento batendo na cara, dar um rasante vez por outra, para se sentir vivo!

À medida que foi se deprimindo, sua voz foi ficando fraca, ele foi perdendo o encanto, suas penas foram perdendo o brilho, suas patas já não tinham força nem para saltar de um lado ao outro dentro da gaiola.

Mas as pessoas continuavam vivendo suas vidas, e não percebiam que o pássaro não cantava mais. Passavam por ele, muitas vezes por dia, mas não o notavam. Limpar a gaiolinha, uma vez ou outra, com muita rapidez. Um carinho superficial no pescoço, um afago nas asinhas e já estava. Do que ele iria se queixar? Tinha a gaiola mais bonita do bairro, comia do melhor alpiste, recebia água gelada todos os dias...

Ele precisava de mais. Ele precisava voltar a cantar. Precisava voar mais alto, aprender a dar umas cambalhotas no ar... ele sabia que conseguia, mas estava preso. E foi ficando triste, abatido, deprimido.

Um belo dia, alguém daquela casa ficou doente. Passou dias sentado no sofá bem em frente do passarinho e por fim notou que ele não cantava mais. Passaram-se dias, e o pássaro não cantava, não se mexia, nada... A pessoa se levantou, abriu a porta da gaiola, pegou o bichinho nas mãos e percebeu que o tal animalzinho estava muito debilitado. Tremia muito, não conseguia se mover direito, não tinha reação.

Assustado, o rapaz chamou os demais membros da família e comunicou que talvez estivesse acontecendo algo de errado com o Curió. Chamaram um veterinário. Ficou constatado que o bichinho estava de fato doente. Fraqueza muscular, confusão mental, apatia.

As pessoas da casa não entendiam: “-Meu Deus, o que aconteceu com ele? A gaiola é nova, o alpiste é importado...porque ele está assim...?”

E o veterinário prontamente respondeu: “- Ele está preso nesta gaiola, e ele é um pássaro, precisa voar. Precisa se sentir livre para poder cantar. Ninguém percebeu que ele estava definhando?

Outro familiar respondeu: “-Mas foi ele que quis ficar na gaiola. Teve um dia que ele machucou a patinha e não conseguia voar. Compramos a gaiola e colocamos ele aí dentro. E como tinha 'bastante” espaço, ele se movia, cantava, interagia. Pensávamos que ele estava feliz.!”

Veterinário: “-À princípio, apesar de preso, ele até poderia ter se acostumado, porque contudo, recebia atenção. Se sentia cuidado, e isso era bom. Mas logo vocês foram vivendo a vida de vocês, e esqueceram dele ali dentro, trancado. Foi então que ele adoeceu!”

Familiares: “-Doutor, o que podemos fazer para ajudá-lo?”

Veterinário: “-Continuem dando alpiste de qualidade, água geladinha, mas deem carinho e...

abram a porta da gaiola para ele poder sair...”

Familiares: “-Vamos tirar ele desta gaiola, vamos, ele vai sair voando, vocês vão ver.

Vem Curió, sai, a porta está aberta. Voe, voe, cante! Vamos!”


Passaram-se alguns minutos e nada. O bichinho continuava lá, encolhidinho no fundo da gaiola, tremendo, assustado. Sem saber o que fazer.

E as pessoas o chamavam efusivamente: “-Venha Curió. Venha... Desculpa. A gente ama você, venha. Vamos lhe ajudar a voar...”

O veterinário concluiu: “-Agora, vocês precisarão ter paciência com ele. Foram muitos anos preso nesta gaiola. As patinhas estão fracas. A visão um pouco prejudicada. Vou passar um suplemento para ele tomar.”

Desde aquele instante, a porta da gaiola nunca mais se fechou. Todos os dias alguém da família passava por Curió e fazia um carinho na sua cabecinha. Mas, ele não reagia. Tinha medo, estava perdido. Já não sabia mais voar. Não sabia por onde ir. Todos os dias ele pensava: “-Hoje, hoje eu tento sair desta gaiola. Eu vou conseguir.” Dava uns pequenos passos, e quando avistava a altura, sentia calafrios, e voltava para o seu cantinho. Lá era escuro, era apertadinho, mas era seguro. Afinal, ele ficou tanto tempo ali que se acostumou. “-E se eu cair, e se eu me machucar? E se eu me perder? ” Ele pensava.

Até que um dia ouviu uma voz doce e suave dentro do seu coração que dizia: “- Curió meu filho você está livre, livre! Voe, cante! O seu canto é importante para o mundo. Eu te fiz vistoso e repleto de qualidades, não desperdice os dons que te dei...”

O relutante pássaro deu uns passinhos, olhou para a porta da gaiola, sentiu o vento bater no seu bico, e lembrou como era bom quando podia voar, lembrou que amava cantar, como se sentia feliz... Por um instante pensou, eu vou, e foi, mas voltou rapidamente. E tentou voar mais uma vez, e outra... mas não conseguia... era muito difícil ele sair daquela gaiola.

Um belo dia, o barulho do vento lembrou um acorde. Um lindo acorde que ele gostava de cantar. E ele arriscou uns cânticos. Cantou um, dois, três. Quando percebeu ele estava cantando, lindamente. Mais ainda do que antes. Cantava como nunca tinha cantado por toda a vida. Porque agora ele sabia como era bom saber cantar. Então ele cantava, cantava, com tanto ímpeto, tanta força que as pessoas não conseguiam mais ignorá-lo. Porque sua voz tinha uma força divina tão forte e encantadora que tomava conta de todos os ambientes da casa.

E isso foi contagiando a todos. A ponto de cotidianamente, antes de sair para suas atividades diárias, os moradores daquela casa não conseguirem iniciar suas rotinas sem ao menos ouvir uma música cantada pelo tal pássaro.

Foi então que Curió percebeu que não adiantava ele querer voltar a voar sem conseguir afinar seu canto primeiro. Porque o que dava segurança para suas peripécias no ar, era a beleza da sua voz. Percebeu que a porta da gaiola continuava aberta. Mas ele ainda estava dentro dela... ainda não tinha forças para sair. Mas decidiu seguir cantando... Quem sabe um dia ele consiga voar... Ele acredita que vai conseguir...

Quantos de nós somos aprisionados em gaiolas durante toda a nossa vida? “- Não faça isso! “- Isso não é pra você!”, “- Acorde, você não vai conseguir!”, “-Pare de sonhar!”. “- Em que mundo você vive?”. “- Pare!”, “-Não!”, “-É perigoso!”... etc, etc, etc.

Como se nos dissessem: “-Você canta bem, mas cante aqui, dentro desta gaiola que é mais seguro. Lá fora o mundo é muito cruel. Você é tão frágil e delicada que vão te machucar!”

Mas todos gostam de ouvir o tal canto, então te prendem na gaiola mas querem que você continue ali, plena, cantando lindamente. Só para eles.

Não entendem que para cantar um pássaro precisa estar livre? Como tem as asas cortadas, os sonhos podados, as expectativas retidas e ainda assim querem que ele cante? Como?

Ao longo de nossas vidas recebemos muitos nãos. Somos incentivados a desistir de tantos sonhos. Por diversos canais. Pessoas a nossa volta, situações cotidianas, crenças religiosas, crenças limitantes do convívio social, ideologias, ética, etc... A quem importa como você se sente depois?

Frustrações que não eram suas, medos que nunca te pertenceram, visões equivocadas sobre o seu real valor. Como não percebemos isso? Como deixamos a vida nos engolir assim? Quando somos pássaros, e queremos cantar, não conseguimos calar nossa voz. É mais forte que nós.

E o tempo? O tempo passou... e continua passando. Então, faça a sua parte...

A porta está aberta Curió! Você já sabe cantar. Agora voe! Voe! Existem paisagens lindas que você precisa conhecer...

autora: Adriana Ferreira Flores Mafra

terça-feira, 4 de junho de 2019

SORORIDADE


Ultimamente tem se usado muito esta expressão “sororidade”. Podemos caracterizar como sororidade a “união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca do alcance de objetivos comuns.” Muito presente nos movimentos feministas, fortalecendo a ideia de irmandade entre as mulheres na luta contra os esteriótipos.

Observando muitas postagens e comentários na mídia, vejo que há sim um movimento genuíno e concreto em prol da melhoria do sistema como um todo. Desde a luta contra a violência doméstica à luta por igualdade no mercado de trabalho por exemplo.

Vejo sim como é importante esse posicionamento de mulheres fortes de caráter, as formadoras de “boas”opiniões que possam ajudar o direcionamento das pessoas contra o preconceito, a censura, a violência, a mediocridade.

Entretanto paro pra pensar até onde isso de fato é verdadeiro, consciente e real. Será que as pessoas têm noção do que representa uma luta como essa? Será que há reflexo concreto nas atitudes de nós mulheres em nossos cotidianos?

Por exemplo: Você elogia suas amigas? Levanta a autoestima, dá bons conselhos, demonstra sua admiração? Ou você guarda esses sentimentos em forma de inveja, ressentimento e despeito?

Você tenta compreender as outras mulheres, reconhecer suas fraquezas, respeitar suas decisões?
Ou está mais preocupada em observar quem ganhou uns quilinhos a mais, fez botox ou trocou a prótese dos seios? É muito comum fazerem observações negativas, criticarem atitudes umas das outras e desvalorizarem algumas conquistas.

De que adianta falarmos de irmandade, sororidade, mexeu com uma mexeu com todas*, e no nosso dia a dia fazermos tudo ao contrário? Já pararam para pensar que nós mulheres podemos ser co-criadoras de todo esse sistema que nos diminui, machuca e marginaliza?

Quer ajudar a mudar essa realidade? Comece fazendo você a diferença positiva. Quando uma mulher precisar de cuidado, apoio e compreensão, estende sua mão. Quando sua amiga estiver gata, fale pra ela. Quando tiver orgulho de algo que ela falar ou fizer, evidencie. Não tenha medo da concorrência, mulheres fortes e seguras de si, não têm receio das comparações e críticas. Pelo contrário, se juntam a pessoas mais fortes ainda, que as inspirem a serem vencedoras. A generosidade e o companheirismo nos torna ainda mais belas.

Da próxima vez que você ouvir falar sobre sororidade, pense se você está apta mesmo a aderir um movimento como esse. Se questione sobre os limites saudáveis que devem ser adotados, e pratique. Ideias e conceitos guardados não tem utilidade, deturpam e desacreditam atitudes que efetivamente podem somar às nossas vidas.

Não seja eco, seja co-criador e propagador da tolerância e do amor. Afinal, “quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele.” Martin Luther King Jr.





*mexeu com uma mexeu com todas – movimento midiático contra o assédio sexual às mulheres, onde o a frase evidencia que o que sofrimento de uma mulher caracteriza o sofrimento de todas. Reafirmando o conceito de sororidade acima descrito.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

FRAGMENTOS DE AMOR!



Nosso coração é um conjunto de pequenos fragmentos de amor. Que se unem, nos tornando completos como precisamos ser.
Somos eternos carentes, insatisfeitos, necessitados de aprovação, de afeto, de atenção.
Estamos sempre em busca de pessoas que nos façam sentir bem, nos confortem, tornem nossos dias melhores.
Somos também fragmentos de corações que partimos, ou fragmentos partidos de outro alguém.
Por vezes sobram algumas pontas agudas e finas, que cortam, fazem sangrar. Mas até essas, quando encaixadas na peça perfeita, são capazes de curar, fortalecer, reconstruir.
Somos um quebra-cabeça de afeto que nos torna mutantes. E necessitados dessa constante evolução, seguimos querendo sempre mais.
O amor é algo sublime, que nos torna únicos, perfeitos, mais próximos de Deus.
Que as razões para amar, sejam sempre maiores. Que nossa essência amorosa, sobreponha nossos bloqueios individuais, preconceitos e padrões, que mais servem para nos afastar do que para nos unir.
Reconhecer nossa essência amorosa nos fortalece, nos preenche a alma, nos enche de luz. Quando reconheço o amor em mim, deixo de ser dependente de outros “alguéns”. Passo a ser fonte, e não lago.
Não me preocupo tanto em receber, porque sei que mesmo perdendo amor, estarei sempre ganhando .



domingo, 30 de dezembro de 2018

Viva 2019 !!



Mais um ano que se vai...
Um ano de lutas políticas, de classe, de sexo, de cor. Muitas pessoas encontrando seus ideais e, perdendo a linha.

Quanta postagem desnecessária. Quanto excesso de razão, e falta de coerência. Que mundo louco, sem parâmetros de bom senso, de tolerância, de amor.

Nunca se ouviu falar tantos termos diferentes de uma só vez. Homofobia, feminicídio, machismo, comunismo, racismo, capitalismo e tantos outros ismos mais.

Viramos um rótulo. Somos um monte de pessoas “unidas” pela separação da minoria que nos representa.

Homens, mulheres, negros, brancos, "homos", heteros, comunistas, capitalistas... Já não se sabe mais quem oprime quem. A justiça generalizadamente injusta.

O mundo de fato está confuso. Os “excluídos” se voltaram contra seus “opressores”e acabam reagindo com a mesma intolerância que originou sua própria luta. Caos total.

É, 2018 foi um ano de mudanças políticas, sociais, que nos fez refletir, amadurecer conceitos, aprofundar valores. Será que valeu a pena? Será que este movimento de fato representa alguma tentativa de evolução, ou é o retrato de um bando de gente sem opinião ou consciência, que por falta de coragem ou incapacidade de raciocínio próprio, agiu pelo impulso da multidão?

Que neste novo ano, e nos anos que virão, a sociedade encontre um ponto de equilíbrio. E que a gente seja menos politicamente correto e mais correto de verdade. Que o medo de algum julgamento não nos impeça de sermos de fato “vivos.” Que nossa alma continue tendo voz. Que nossos sonhos não sejam tolhidos por “minorias” opressoras, nem estimulados por “maiorias” persuasivas.

Que neste novo ano, e nos anos que virão, tenhamos a liberdade de ser e sentir o que quisermos, sem que isso seja ofensivo para alguém. Que tenhamos a capacidade de enxergar que fazemos parte de um grupo social onde o respeito é fundamental. E tenhamos o bom senso para compreender que a minha vontade não deve sobrepor a sua, a não ser que eu seja o único beneficiado ou prejudicado com isso.

Que neste novo ano, e nos anos que virão, possamos construir maiorias unidas pelo amor, e não segregadas pela dor!

Viva 2019!



sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Política: causas e consequências!



Aí você cria seu filho dizendo: “Come que nem homem moleque!”, “Não chora que isso é coisa de menininha...”. E quando aparecem casos estrondosos de feminicídio, desvalorização da mulher, machismo, homofobia, você culpa “essa tal sociedade doente”.

Aí você diz para sua filha: “Não come tanto assim, vai ficar gorda e feia!”, “Fecha essa perna menina, vai parecer oferecida!”. E diz que a supervalorização do corpo, o preconceito sobre o comportamento feminino, a censura, o machismo desenfreado, é culpa somente da imprensa, da entrevista daquele presidente, dos donos das agências de modelo, ou de uma sociedade superficial desigual e preconceituosa.

Aí você compara todos os sobrinhos naquele almoço de domingo, dando apelidos pejorativos: o fraco, a enjoada, o engraçadinho, a bonita, o burro. E quando há bullying nas escolas ou quando as pessoas crescem e não sabem lidar com as diferenças, você culpa uma sociedade cruel e intolerante.

Aí você rotula todas as suas amigas maiores de 40, porque usam minissaia ou shorts acima do joelho como: “As sem noção”, “As que não se dão ao respeito”, “As que não sabem se portar como as mulheres da sua idade”, “fazendo papel de ridículas querendo parecer gatinhas”; e reclama que a sociedade só valoriza a juventude, que não tem espaço para as mulheres maduras, que há muita cobrança sobre seus modos, seu corpo etc.

Aí você obriga o seu filho a estudar “algo que dê dinheiro”, para que ele seja “alguém na vida” e assim ele construa um futuro diferente ou melhor do que o seu. E quando ele cresce e vira um adulto frustrado e mal sucedido, você culpa a “eterna” crise econômica do país.

Aí você vive acreditando que é um “cidadão de bem”, que contribui para um mundo melhor e nem se dá conta de que é um agente fundamental, para o fomento e a manutenção dessa “tal sociedade doente”, superficial, injusta, preconceituosa, machista, feminicida, homofóbica em que vivemos.

Não basta emitir sua opinião política nas redes sociais em época de eleição. Ajude a criar dias melhores dentro da sua própria casa. No seu trabalho e nos lugares que frequenta. Reveja os valores que passa dentro da sua própria família. Reveja seus princípios, e os ajuste às suas próprias atitudes. Você verá que essa “tal sociedade doente” irá melhorar sua “saúde” consideravelmente.
Observe que muito dessa tal “política”que você cobra dos governantes, é completamente o reflexo do que nós como grupo social e familiar geramos.
Quer mesmo fazer alguma coisa? Para de culpar os outros, tome atitudes de fato sensatas na vida e pare de reclamar. Quando as pessoas vão se dar conta de que essa “tal sociedade doente”somos todos nós?
O caos em que vivemos é o reflexo das nossas próprias criações. Seja responsável pelo seu futuro. Nem todo mal é “consequência do destino”, mas sim o resultado de suas próprias decisões e escolhas.

Pare de se vitimizar, arregace as mangas, faça a diferença positiva no mundo.
E seja um criador do bem, não um reflexo do mal!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

SOLIDARIEDADE EGOISTA


Você deve estar pensando: solidariedade egoísta? O que é isso? Eu te explico.
Tenho observado como de maneira incrivelmente generosa as pessoas se dispõem a se aproximar das demais. Não são todas, justiça seja feita, mas boa parte das pessoas se aproximam de outras no intuito de ajudar, mas a partir do momento que não obtém as “recompensas” esperadas, assim como mágica desaparecem.
A pessoa se aproxima como quem se interessa pelo seu momento, e logo vem a contrapartida. Seja algum benefício material, seja um contato, um retorno de algo qualquer.
De fato não há o interesse pelo sofrimento do outro, de fato não há o afeto como foi colocado de forma tão entusiasta no início. E tudo bem, não somos obrigados a ter afinidade com todo mundo. Mas seja sincero.
Observo que na realidade a maioria das pessoas não está preocupada com o que sentimos, pensamos ou precisamos. Elas estão preocupadas em preencher suas próprias expectativas com relação a você e ao que você possa oferecer.
No fundo, acabam agindo como hospedeiros, sugadores de energia alheia. Tentando suprir suas carências individuais no convívio em sociedade.
Não há a preocupação de fato, há a curiosidade sobre a sua vida. Não há o carinho e o prazer em estar com você, mas o interesse em usufruir do que você possa oferecer.
Dificilmente presenciamos as pessoas demonstrando seus sentimentos simplesmente pelo fato de fazer o bem, multiplicando o amor, oferecendo o seu carinho “apenas” para melhorar o dia de alguém.
Quem realmente se importa, manifesta esse sentimento, mesmo através de um olhar, um abraço apertado. Quem realmente se importa, ora por você, e tenta compreender suas limitações. Quem realmente se importa, não perde tempo julgando quem está sofrendo, mas procura entender e respeitar.
Quem se importa, se importa. Quem não se importa, disfarça com sorrisos e elogios exagerados um sentimento que evidentemente não existe.
Quem não sabe se comunicar através da alma, faz muito barulho. Não acrescenta.
Por isso, não se preocupe em estar sempre junto de muita gente, se preocupe em estar próximo de você mesmo. Porque o dia em que você estiver centrado em si, você estará centrado com o divino que há em você. E isso te basta, acredite!
Não estamos nesse mundo para preencher expectativas, estamos para construir uma vida feliz e próspera, verdadeira, repleta do real sentimento de afeto, da paz de espírito.
O que custa nossa paz é caro demais. Não precisamos de sobrecarga de energia alheia contaminada por interesse, por vaidade, por inseguranças.
Não precisamos de amor por conveniência.
Precisamos de amor!


domingo, 22 de abril de 2018

Renascer...


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De fato eu tenho a sensação de que estou sempre renascendo. Me sinto em constante mutação, aperfeiçoamento, evolução. Não que eu fosse pior. Mas a vida me impôs esta condição de mudança, diversas vezes, de diversas formas. E não posso nadar contra a maré.
Cada vez que o barco balança e afundo no oceano desconhecido e frio, encontro uma nova paisagem, um cenário diferente. Que exige de mim esforços que me impulsionem subir novamente à superfície.
Sei que existe um movimento maior no céu que assegura nossas vidas, por isso cada vez que nado até o fundo do oceano, mesmo no meio às correntezas frias, arraias e tubarões, me intimido, mas não paro de nadar.
Sempre me senti diferente de algumas pessoas. Nunca vi a vida de maneira materialista e normal. Para mim tudo é poesia. Vejo sentimento em cada momento, cada ação, ou falta dela.
Sinto amor através das pessoas, das plantas, dos lugares. Reconheço a beleza e a força do sol, e do movimento das águas, que tanto abastece quanto destrói. É assim.
Somos um conjunto de sentimentos, emoções, glórias e, dessabores. É assim!
O importante é não negar o sofrimento, mas justamente, saber reconhecê-lo, sentir, e superar.
As lágrimas são importantes tanto quanto o sorriso. Lembre-se: tudo em excesso é descontrole.
Precisamos sim morrer muitas vezes, para aprender a renascer, e nascer outra vez mais. Esse é o movimento da vida. Transformar dói. Mas vale muito a pena!
Seja no Pacífico, no Atlântico, no oceano Índico, seja onde for. As águas profundas são sempre escuras. Assustam. Mas quando aprendemos a nadar com tranquilidade, e usamos os equipamentos de maneira correta, ah ...como é lindo! Quanta cor existe no fundo do oceano. Quantas espécies raras, quanta harmonia. Se soubermos olhar com gratidão, é possível ver os raios de sol que mesmo bem lá no fundo, penetram, levando um pouco do calor, transformando a natureza de forma surpreendente, nos trazendo paz.
Na nossa vida também é assim. Mesmo no meio das situações adversas, existe a beleza da transformação, da evolução, da superação. Viramos super-heróis. Cada dia mais fortes. Mais indestrutíveis.
Não tema as mudanças. Procure o melhor olhar. O melhor sentimento. Acredite naquilo que te leva adiante. E nade. Nade muito. Pare para respirar quando necessário. Se apoie nas pedras, aproveite a correnteza. Mas não desista. Não fique olhando para trás, vendo o quanto do percurso já concluiu. Olhe para frente. Identifique a terra firme, e lute onda a onda até chegar lá!
Nade, nade, nade....não pare de nadar. Esse é o propósito da vida.
Hoje, já não busco mais um caminho. Apenas vivo. Olho para o passado com alegria e gratidão. E me preocupo com o futuro com a limitação que me cabe preocupar. De resto, faço minhas orações, diárias, de hora em hora, minuto a minuto.
Sei, que se o barco balançar de novo, posso até cair nas águas profundas e frias. Mas sei nadar. E se for de maneira sábia e tranquila, vou encontrar o raio de sol que me levará à superfície colorida e segura. E conseguirei respirar novamente.
Renasci ontem. Renasço hoje. Renascerei sempre!
Precisamos “respirar” para nos mantermos vivos!